10:30 e era agora. Tirou coragem do fundo do estômago e foi. Tinha que falar. As consequências, bem, eram as consequências. Um frio do cão. Ela caminhava do lado dele, mais linda que nunca. Perguntou o que ele queria falar com ela. Discurso decorado, ele soltou tudo de uma vez: te acho muito simpática, linda e não vou fingir que não quero ficar contigo. Burro! Má hora, mau lugar. Mas quem vai até a metade vai até o final. Ela perguntou o que mais, ele não tinha mais. Pensou que aquilo era muito, era toda sua capacidade. Ficou embaraçado. Colocou as mãos nos bolsos. Levantou a sobrancelha.
Silêncio constrangedor.
Ele sabia da resposta. É um bom perdedor, ou simplesmente um acostumado. Balbuciou um começo de frase: É que...Foi interrompido, ela falou. Sou muito ligada a outra pessoa, quero que você entenda, não dá. Ele responde que sim, pelo menos um sim seria ouvido naquela noite. Ele não tem mais o que falar. Acabou. Ele tem o dom de terminar antes mesmo de começar. Falou. É seguidor da filosofia fajuta de que é melhor a vergonha de não ter conseguido do que a vergonha de não ter tentado. Papo furado. Se fude as tentativas!
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