Os descaminhos que a vida toma são inacreditáveis. Digo descaminhos porque as coisas raramente dão certo. Talvez eu não seja um pessimista, mas um realista ao extremo. Não acredito num monte de coisas. Acredito em outro monte, mas não sei de nada, essa é a verdade. Estamos sempre perdidos, mesmo quando estamos em busca de alguma coisa, estamos perdidos. É isso que eu acho. Pelo menos é assim que me sinto. Há um tempo atrás eu queria muito entrar na faculdade, ir embora do Bonja, ficar com a Lauren. Isso aconteceu, mas não sei. Entrei na faculdade e agora não vejo a hora de sair. Saí do Bonja e não sei, realmente, se quero ficar longe de lá. Bom, a Lauren foi diferente. Fiquei com ela, mas é a única coisa que quero desde aquela época. Sei que já devo ter escrito as mesmas coisas milhares e milhares de vezes, mas esse foi o maior dos descaminhos. Contraditório, o maior dos descaminhos foi o único que seguiu o caminho. Esses tempos não têm sido muito bons para a criação. Não que, em algum dia, eu tenha escrito algo bom. Mas parece que estou passando por um fase totalmente introspectiva. Não quero que isso aconteça. Mas também não quero me importar nenhum pouco com os outros. Está tudo uma bosta e essa é a verdade. Cheguei na encruzilhada dos descaminhos. Não serei nada de um jeito ou de outro. Mas é uma encruzilhada. Sabem, cansei de fazer tanta coisa sem sentido. Sim, eu sou daqueles que precisa saber qual é o sentido das coisas que faço. E o pior das pessoas como eu, é que elas nunca acham sentido. Essa falta provoca um enorme vazio. Perguntas sem respostas são as mais intrigantes das nossas vidas. Minha encruzilhada tem os seguintes pontos: assumo agora que sou um nada ou ainda luto um pouco contra a maré e assumo daqui algum tempo. A única diferença de me entregar depois, é que não vou me sentir tão covarde. Talvez seja covardia o principal defeito das pessoas que buscam sentido. Covardes sempre precisam saber qual o sentido, não arriscam por pouco. Faço isso. Ou melhor, não faço.
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