Tudo aquilo para acabar assim. Uma tarde de chuva, quase sem assunto e olhares para o nada. Será que tento mais uma vez? Não, hoje não. Acordei decidido a não fazer mais nada. Chega. O que não se consegue em sete, não se consegue em dez ou cinquenta.. Derrota agora ou depois, qual a diferença? Ainda nos olhamos. Não, eu tento olhar. Ela olha para o chão, a chuva. Busco palavras. Não tenho mais. Não tenho mesmo. Lembro de quantas vezes já estivemos a ponto de tomarmos caminhos diferentes. De quantas vezes já ficamos olhando para a chuva. Ela para a chuva, eu para ela. O silêncio das outras vezes era gritante. Ainda tinha uma esperança. A gente se encontraria em um lugar ou outro e as coisas ainda poderiam... O silêncio de agora é mudo. Não tem nem um pingo de esperança. Silêncio que antecede o fim do último ato da tragédia. Silêncio que segue depois da última cena do filme e antecede a música. Nem sabe há quanto tempo não falam nada. Ridículo. Também olha para o nada. Nada. Não vê, não fala, não pensa. Só sente. Sente que é o fim. Que não deu em nada. Que morreu o pouco que tinha. Que não tem futuro. Olha-a mais uma vez. Tem vontade de chorar. Pensa que é ridículo. Como deixou a coisa ir parar ali? Por que não desistiu antes? Seria tão mais fácil. Desistia e pronto. Seria difícil e tal, mas já teria acabado. Vai saber o que estaria fazendo agora. E se tentasse mais uma vez? Não teria outra chance. Era a última vez, prometia a si mesmo, como um bêbado na frente de um copo. Não, não e não. Hoje não. Nem que morresse de arrependimento. Não faria mais nada. Agora ela olha para ele. Se fuzilam. Ele quase fraqueja. Ela espera alguma coisa, conhece ele. Sabe que não vai desistir. Que quando quiser, ele estará lá. Ele a encara. Dois segundos de olhos nos olhos. Ele sai para a chuva.
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