quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Caminhando na Chuva

Caminha com passos lentos pela rua recém molhada. Não se importa com a chuva. É até melhor. Ninguém vê que ele está chorando. Já leu isso em algum lugar. Sim. Leu isso em “Caminhando na Chuva”. Era uma boa história. Tinha muito em comum com o personagem. Foi o que ele achou. Mas enfim. Estava chovendo, ele caminhava e já era noite. Nada de mais. Ele pensa que, se escrevesse, nunca faria uma cena assim. É clichê demais. Um cara, a chuva, a noite, a solidão. Mas o pior é que essa é a maior verdade. É sempre um cara, a chuva, a noite, a solidão. A única coisa que difere as personagens é o destino de cada uma. Poderia muito bem andar naquela noite e se matar depois, ou tomar um grande porre de vinho, ou simplesmente voltar para casa e se conformar. Ele pertence a esse último grupo. Os conformados. Nessa noite, nessa chuva, com esse cara e nessa história, ele acaba de descobrir que é burro. Seria mais bonito se ele descobrisse que é um iludido. É, talvez seja mais poético. Mais trágico também. A imagem que as pessoas têm de um homem burro é muito diferente da que elas têm de um iludido. Iludido é melhor mesmo. Pois então voltemos. Esqueçam essa parte. Continuemos daquela frase... Nessa noite, nessa chuva, com esse cara e nessa história, ele acaba de descobrir que é um iludido. Está com aquela sensação de que, por muito tempo, tempo até demais, seguiu por um caminho errado. Sempre pensou nas pessoas assim. Como seria perseguir e lutar por um ideal durante quase toda a vida e, de um segundo para outro, descobrir que não valia a pena? Ele está neste estado agora. Está com aquela sensação, aquela sensação terrível que dói tanto no peito quanto a dor da ansiedade, pois ambas as dores estão diante do desconhecido. A diferença dessas dores é que a da ansiedade não está transbordando de vazio. Continua caminhando e pensando em milhares de coisas. Nesses momentos ninguém pensa em alguma coisa. Pensa em muita coisa. Pois quando a razão vem, ou simplesmente cai a ficha, os pensamentos se embaralham e se afobam, se entrelaçam a outro e mais outro, ligam imagens datas, pessoas, acontecimentos, falta de acontecimentos, o sim, o não. A chuva aumenta um pouco. Não tem importância. A chuva não fere tanto. Simplesmente molha.

2 comentários:

Ricardo disse...

"É sempre um cara, a chuva, a noite, a solidão"

Taí uma verdade.

... disse...

Não creio... Caminhando na Chuva??? Juro que pensava que só eu tinha lido.
é... "A vida não é tão interessante como a literatura." já diria Charles Kiefer!

Beijos!
Sempre por aqui.