Oitenta e quatro dias sem pescar um peixe foi tempo suficiente para que o velho Santiago levasse a fama de azarado da pior espécie. No octogésimo quinto dia, ele fisga um peixe, o maior de todos que já viu. Na luta para derrotar o peixe, Santiago demora três dias. Depois de vencida a batalha, quando ele está voltando para casa com o enorme peixe amarrado ao seu barco, os tubarões atacam e deixam só o espinhaço do peixe. Santiago volta para sua casa e dorme na sua cama com colchão feito de jornais velhos.
Três anos atrás, quando li a obra pela primeira vez, o livro me causou uma baita tristeza no final. Mas agora que o reli me causou impacto. Foi muito mais forte. Uma das pouquíssimas coisas que aprendi na faculdade, e que minha mãe não leia isso, foi que ninguém lê duas vezes o mesmo livro. É como aquela história de que ninguém atravessa duas vezes o mesmo rio. Há três anos, vou ser sincero, minha vida estava uma merda. Nem sei como cheguei no “O Velho e o Mar”, na verdade, nem sei como cheguei ao Hemingway. Bom, a verdade mesmo é que não sei como cheguei a lugar nenhum, mas agora isso não importa. O que interessa é que era quase dezembro e eu estava lá no meu quarto, na minha casa, no Bonja, com esse livro na mão e um monte de coisas na cabeça. A edição era boa, mas umas frases na contracapa me deixaram um pouco apreensivo sobre o que eu entenderia daquele livro. Mas li. E, confesso, na época cheguei ao final um tanto decepcionado. Talvez esse também tenha sido um dos motivos da minha tristeza.
Bom, mas reli a obra. Três anos se passaram e eu precisava voltar para aquele livro. A primeira diferença foi no tempo de leitura. Antes eu havia demorado dias, acho que até semanas, agora li em uma tarde. Claro que isso não quer dizer nada. Mas já é uma diferença. Prestei mais atenção a frases como: “Um homem não nasceu para a derrota, um homem pode ser destruído, mas não derrotado”. Isso também pode não dizer nada, mas para mim faz muita diferença.
Dessa vez, quando acabei, senti um vazio imenso e, no meu pouco entendimento, as obras que causam esse vazio no leitor são geniais. Quando fechei o livro, não acreditei que uma coisa tão pequena pudesse ser tão genial e dizer tanta coisa em tão pouco espaço. Claro que ali há uma mensagem de esperança no homem, na sua capacidade, na sua persistência, na sua fé, mas também há o outro lado. O lado de um velho que passa oitenta e quatro dias sem pegar um peixe e quando pega, ele é devorado pelos tubarões. Penso na idéia de injustiça, de falta de sentido. E é isso que Santiago representa para mim: as quase conquistas.
O velho foi o maior pescador do mundo enquanto os tubarões não apareceram. Foi o homem mais sortudo de Cuba por instantes. Mas Santiago era salao, ele não trairia sua essência, era um azarado da pior espécie, um sofredor, mas se negava a ser um derrotado. E é aí que entra a frase que já citei acima, Santiago não foi derrotado, foi destruído. O velho lutou contra a derrota até que ela acabasse com suas forças, até que ele não pudesse fazer mais nada a não ser dormir na sua cama com colchão de folhas de jornal.
Santiago me fez chegar a uma conclusão: a tentativa leva à derrota, a persistência à destruição. Por isso me identifiquei com o velho. Ambos não admitimos uma derrota, persistimos até que encontremos a vitória ou sejamos completamente destruídos. E é quase em estado de destruição que me encontro agora. Já vejo os tubarões se aproximando.
Três anos atrás, quando li a obra pela primeira vez, o livro me causou uma baita tristeza no final. Mas agora que o reli me causou impacto. Foi muito mais forte. Uma das pouquíssimas coisas que aprendi na faculdade, e que minha mãe não leia isso, foi que ninguém lê duas vezes o mesmo livro. É como aquela história de que ninguém atravessa duas vezes o mesmo rio. Há três anos, vou ser sincero, minha vida estava uma merda. Nem sei como cheguei no “O Velho e o Mar”, na verdade, nem sei como cheguei ao Hemingway. Bom, a verdade mesmo é que não sei como cheguei a lugar nenhum, mas agora isso não importa. O que interessa é que era quase dezembro e eu estava lá no meu quarto, na minha casa, no Bonja, com esse livro na mão e um monte de coisas na cabeça. A edição era boa, mas umas frases na contracapa me deixaram um pouco apreensivo sobre o que eu entenderia daquele livro. Mas li. E, confesso, na época cheguei ao final um tanto decepcionado. Talvez esse também tenha sido um dos motivos da minha tristeza.
Bom, mas reli a obra. Três anos se passaram e eu precisava voltar para aquele livro. A primeira diferença foi no tempo de leitura. Antes eu havia demorado dias, acho que até semanas, agora li em uma tarde. Claro que isso não quer dizer nada. Mas já é uma diferença. Prestei mais atenção a frases como: “Um homem não nasceu para a derrota, um homem pode ser destruído, mas não derrotado”. Isso também pode não dizer nada, mas para mim faz muita diferença.
Dessa vez, quando acabei, senti um vazio imenso e, no meu pouco entendimento, as obras que causam esse vazio no leitor são geniais. Quando fechei o livro, não acreditei que uma coisa tão pequena pudesse ser tão genial e dizer tanta coisa em tão pouco espaço. Claro que ali há uma mensagem de esperança no homem, na sua capacidade, na sua persistência, na sua fé, mas também há o outro lado. O lado de um velho que passa oitenta e quatro dias sem pegar um peixe e quando pega, ele é devorado pelos tubarões. Penso na idéia de injustiça, de falta de sentido. E é isso que Santiago representa para mim: as quase conquistas.
O velho foi o maior pescador do mundo enquanto os tubarões não apareceram. Foi o homem mais sortudo de Cuba por instantes. Mas Santiago era salao, ele não trairia sua essência, era um azarado da pior espécie, um sofredor, mas se negava a ser um derrotado. E é aí que entra a frase que já citei acima, Santiago não foi derrotado, foi destruído. O velho lutou contra a derrota até que ela acabasse com suas forças, até que ele não pudesse fazer mais nada a não ser dormir na sua cama com colchão de folhas de jornal.
Santiago me fez chegar a uma conclusão: a tentativa leva à derrota, a persistência à destruição. Por isso me identifiquei com o velho. Ambos não admitimos uma derrota, persistimos até que encontremos a vitória ou sejamos completamente destruídos. E é quase em estado de destruição que me encontro agora. Já vejo os tubarões se aproximando.
1 comentários:
se os tubarões se aproximarem..... deixe.... volta pra cama de jornais velhos, dorme. e no outro dia, escolhe outro lugar pra pescar.
muda o alvo, o caminho.... mas não as armas.... são elas que te fazem pessoa!
beijos!
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