O cara não ter a mínima ideia do que fazer da vida é foda. Ano que vem, se não acontecer nenhuma merda, estarei formado. E daí? Também não sei. Entrei na Letras porque queria ser escritor. Mudei de ideia. Mudei de novo. E agora não sei de mais nada. Sairei professor. Não sei que tipo de professor. Não vou dizer que serei diferente. Sou contra promessas, como sou contra planos. Motivo? Eles nunca acontecem. Vai dizer que teus planos deram certo? Eles nunca funcionam. Só servem para lembrarmos que deram errado. Mas saindo um pouco da divagação e voltando para o assunto, ainda quero escrever.
Pensei recentemente que tudo já havia sido escrito. Achei que isso era uma verdade. Logo, além de sem talento, também seria sem assunto. Pensei muito nisso. Sei que deve achar que eu não tenho nada para fazer e só fico divagando sobre a existência e suas complicações. Mas, se eu não pensar no que vou fazer da minha vida, vou pensar no quê?
Comecei a reparar em todas as pessoas que conseguia enxegar. Enquanto todos falavam ao meu redor, eu pensava que era diferente de todo mundo e, por sua vez, os outros eram diferentes entre si. Então, em uma conclusão simplista e gigantesca, percebi que nunca tudo seria escrito. Em cada um há milhares de histórias que nenhuma pessoa no mundo sabe.
Só constatei, na minha vã filosofia, o que todo mundo já sabe. Mas foi bom descobrir que as histórias que quero contar não estão em mim, mas nos outros.
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