sexta-feira, 26 de junho de 2009
Piá
-Quando meu piá feiz quinze ano, descobri que ele tava viciado em crack. Já desconfiava. Mas mãe não qué vê. Achava que era só maconha. Vocês sabe, no meu tempo essa era a pior coisa. Quando falavam que o fulano tava fumando maconha, tava perdido. Agora não. Tem umas coisa mais forte. Mas daí, quando eu descobri, ou resolvi enxerga, fui fala com ele. Disse que não tinha andado nove meses com ele na barriga pra ele se mata daquele jeito. Era coisa triste viu? Sempre gostei de vê ele bem vestido. A gente era pobre, mas disso eu gostava. Me arrebentava fazendo limpeza, mas comprava as roupa bonita. Pois essas coisas que eu dava pra ele, ele trocava tudo por pedra. Andava que com uns moleton desbotado, rasgado. Eu perguntava porquê daquilo se ele tinha os que eu dava. Ele respondia que aquele era mais legal. E a magreza? Tava virado em pelanca e osso. Tava se matando. Aí, depois que eu falei com ele, ele chorou e foi internado. Foi pra uma clínica lá em Florianópolis. Era cansativo. A visita era uma vez por mês. Saía do Bonja à meia-noite e chegava lá às nove da manhã. Às três da tarde a gente tava voltando. Isso fiz três veiz. É, ele ficou lá três mês. Numa dessas visita, eu vi um piazinho de onze ano que falaram que era viciado. Não acreditei. Essas droga são umas praga. Faz um ano que meu piá voltou. Nunca mais usou nada. Mas nunca deixo dinheiro perto dele. É bom não testa a cabeça do piá.
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